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dezembro 06, 2011

O cidadão de Jundiaí



Mal se dorme no soar do despertador...
E lá vai ele,
O construtor cidadão!
Pelas as luzes estrelares e entre o aperto de milhares...
Mas lá vai ele,
O sempre enlatado cidadão!

Amassado pela descentralização
Escondido na sombra dos prédios da situação,
Trabalha, trabalha, trabalha não fala não falha!
Não adoece nem tem fome, é bicho-homem.

Se... buzina, grita ou apita por protesto,
Um batalhão de polícia é chamado contra o manifesto...
E lá vai ele, o reprimido e multado cidadão!

Deve-se morar longe feito monge
Deve-se ser fiel e votar no coronel
Deve-se acreditar sem questionar
Deve-se a Deus não fazer prece, pois isso enlouquece.

Nada de pedir vaga,
Afinal, a creche tem que ser paga!

Na terra do cidadão tem coqueiros,
Coqueiros como em outra terra jamais vi.
Eles alimentam sem parar,
As luxuosas retinas do oitavo andar.


...mas o cidadão cansou!


Lucas Forlevisi de Mello 06.12.2011





outubro 23, 2011

Noite de Diná





Ela encarou a tal fotografia,
Como quem encara a desventura triste da ironia
Aprontou-se com saltos altos como quem queria saltar nas nuvens
Com maquiagem forte como quem encobre o que os olhos gritam
Com cabelos presos como quem prende o mundo
E... com um vestido que vestia a dança caminhou nas ruas do tempo.
Ela transvestiu-se de atriz dançarina e meretriz, cantou a madrugada em uma única melodia.
Bebeu chuva e fumou todos os seus pensamentos.
Pichou com batom a igreja, riu das estrelas depois chorou para elas.
Ela encarou a tal fotografia,
Como quem encara a desventura triste da ironia.
Desesperou-se com o sol e desejou que a noite não acabasse.
Já em claro, amarrou nos lábios a história dessa noite.




"Após ler a história bíblica de Diná filha de Jacó, dei-me ao luxo de transscrever a história de uma também Diná, mas não filha de Jacó."



Lucas Forlevisi 22.10.2011

julho 15, 2011

Filosofia do perder-te


Escondi a ideia de não querer-te tão fundo
Que perdida em mim, encontro o querer-te tanto.
Querer-te é o sorrateiro encontro dos olhos em corpos cálidos.

Logo eu, mais dentro de mim do que no mundo passeio nas ideias do reencontrar-te sempre...
E sempre, é a desventura de todos os segundos que habitam no perdido.
Se me enclausura o perder-te em mim, liberta-me o encontrar-te sempre mais...

Que se acabe no início do término e recomece no reencontro do sempre
Que seja simples.



Lucas Forlevisi 15.07.2011

julho 02, 2011

Encontro



Encasquetei-te com a nobreza simples de minha ironia,
Na delicadeza das palavras, descobri-me eu plebeu
Em uma pronuncia sorrateira de teus lábios.
Logo me descobrindo, rasguei honrarias, derrubei tua coroa e lentamente contei-lhe o mundo;
O mundo é grande, por isso demorei a contar.

Hoje sou mais eu e meu eu é mais o mundo
Tu és você e você é todo mundo
Honrarias ao soldado do acaso moribundo.

- Pode fechar os olhos.


Lucas Forlevisi 01/07/2011

maio 26, 2011

Estória infantil para a menina de olhar anil



Ele tinha em seu quintal...

Uma estrela que rodava em cambalhotas
Um banco leitor do vento
Uma tulipa cantante
Uma coruja que usava óculos
Um galo que sonhava em ser tigre
Um milhão de formigas dançarinas
Um poço de água colorida
Um trilho secreto para o trem voador
Um chafariz de confete
Uma máquina de sorrisos
Uma plantação de maças de ouro
Um balanço que chegava a tocar na lua
Uma tartaruga voadora
Uma árvore que usava chapéu
Um portão de soldados gigantes
Um relógio magro
Um lago com ondas
Um pomar de doces
Um coelho chorão
Uma montanha soneca
Uma grama prateada...

Um riso no rosto juvenil da menina que já dormiu.



Lucas Forlevisi 26/05/2011